quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Licença Maternidade

Na minha primeira gravidez eu desejei que a licença maternidade começasse na gravidez e só terminasse depois do primeiro ano do meu filho, mas como isso não era possível estou colocando esse desejo em prática nesta minha segunda experiência de maternidade!

Na gravidez não tive a menor vontade de alimentar este blog e coitadinho ele ficou bem abandonado! Agora com minha filhota com 5 meses estou voltando aos poucos ao trabalho, minha vontade de compartilhar minhas vivências são enormes, mas agora falta tempo, mesmo! rsrs

Quero em breve compartilhar minhas experiências do parto e deste pós-parto de segundinho!

Abraço a todos que me acompanham e até!!!!

Namastê!



domingo, 12 de maio de 2013

Feliz Seu Dia das Mães!!!

Arquivo pessoal


 Em minha meninice ser mãe nunca foi um sonho ou um desejo, para falar a verdade, nem de boneca gostava muito de brincar e quando, raramente, brincava com minha irmã de mamãe e filhinha, eu era sempre a filha e nunca a mãe, ou seja, não fui crescendo com esse desejo e confesso que nem ficava pensando muito nisso, mesmo quando encontrei um parceiro bem bacana, o Fred, meu atual companheiro, demorei para pensar nisso, tanto para mim quanto para ele esse assunto não estava muito em pauta. Se não me engano, quando estávamos juntos a uns 6 anos e morando juntos já uns 4, eu com 27 anos e ele com 30 começou a emergir uma leve curiosidade pelas grávidas, achava incrível essa história de ter um bebê se desenvolvendo dentro da barriga, a barriga crescendo, crescendo... Acho interessante ressaltar que uma das minhas principais características é desejar e experimentar novas experiências e, como mulher que sou, ficava pensando que passar por isso era uma possibilidade, mas naquele momento era apenas uma curiosidade de me sentir grávida, e não necessariamente ser mãe, isso para mim era um grande conflito: - Como assim ficar grávida e depois não querer assumir tais responsabilidades? Bom, esse sentimento foi postergando ainda mais essa possibilidade até que num certo momento esses meus receios foram ficando menores que o desejo de vivenciar algo dessa dimensão, não tinha nada que pudesse me impedir, estava trabalhando em um emprego estável, tinha uma relação amorosa também estável e que me apoiava, tinha um plano de saúde, ganhava razoavelmente bem, bom, aquilo que eu achava, a princípio, ser necessário eu já possuía, então não pensei muito e começamos a tentar! Para minha surpresa engravidei já no primeiro mês e então minha trajetória começou... Estar grávida para mim era incrível, não tive qualquer desconforto na gravidez, só curtia, conversava com meu bebezinho, sentia as mudanças em meu corpo e ia me preparando física e psicologicamente para o parto e pós-parto, confesso que esse segundo me assustava mais, por isso fui me cercando de apoios emocionais e materiais para, caso eu precisasse, eu os ter! Isso me tranquilizava!!! Bom, para o parto eu já estava descolada, já sabia o que eu queria: um parto mais natural possível, uma experiência prazerosa e transformadora. Sempre acreditei na possibilidade deste parto e o considerava até necessário para me ajudar nesta passagem de deixar de ser filha para ser mãe, para mim sempre foi e continua sendo um ritual de passagem, um momento em que nasceria não só um bebê, mas também uma mãe, um pai, enfim, uma nova família! Isso de fato aconteceu! Tive uma experiência maravilhosa de parir, no meu tempo, no tempo necessário que eu precisava para encarnar uma mãe, não uma mãe qualquer, mas a mãe que faz escolhas conscientes, uma mãe ativa e compromissada com meu próprio processo de desenvolvimento, com meu auto-conhecimento e, principalmente, responsável na tarefa de contribuir na formação de um novo indivíduo, uma tarefa que exige bastante, que nos faz pensar em todas as possibilidades e nos coloca em muitos conflitos entre tantas opções e modelos existentes. Descobri que essa era minha maior dificuldade na aceitação pela maternidade, pensava que jamais conseguiria me enquadrar nos modelos vigentes, nas rotinas, nas ações dadas como possíveis para uma mãe, pensava que teria que abandonar tudo que eu era, não poderia mais viajar, vivenciar novas experiências, não poderia mais estudar, ler um livro, que minha vida estaria condenada a sei lá o quê. Talvez até estivesse se eu não percebesse que tudo pode ser diferente, que não preciso seguir rotinas específicas, mas sim respeitar ritmos internos e externos meus e do meu filho, respeitar nossos tempos e viver de uma forma mais livre. Pensar na maternidade como um processo individual é libertador, pois permite que façamos tudo de nosso jeito sem nos sentirmos culpadas e com a sensação de que estamos fazendo tudo sempre errado, sentimento esse muito presente na vida de tantas mulheres. Bom, para isso tive que fazer muitas escolhas em minha vida, a primeira delas foi abandonar aquele emprego estável e escolher uma profissão que me respeitasse mais, aprendi que para respeitar o ritmo do outro é imprescindível, primeiramente, nos respeitarmos e é esse combinado que tenho feito com meu filhote, as regras são construídas por nossos limites e assim vamos convivendo em paz e do nosso jeito! Um jeito meio diferente de ser, mas que é maravilhoso, que me ensina coisas novas a cada momento e que alimenta aquela minha necessidade de estar sempre vivendo experiências novas!
Bom, tudo que tenho aprendido neste meu processo é que não há receitas prontas e não há certo e errado, existe, sim, o caminho possível para cada família! Aprendi que o melhor caminho, necessariamente, não é aquele em que a mulher amamenta em livre demanda, que não dá mamadeira, nem chupeta, que usa fraldas de pano, que faz cama compartilhada, não dão vacinas, não dá doces, que não põe na creche, que só usa remédios naturais, que faz educação ativa e sei lá mais o que, opções essas muito valiosas, mas que para mim só são válidas quando contribuem no fortalecimento da uma mulher e não a faz sofrer, tornando seu caminho, muitas vezes, insustentável. Independente dos caminhos que serão trilhados considero importante que seja uma escolha que venha do íntimo de cada mãe e de cada pai, após terem passado por reflexões e questionamentos internos, isso sim, é o que acredito e defendo ser “maternidade ative e consciente”. Esse é o maior aprendizado que extraio de todo meu processo e é o conselho mais sábio que consigo dar neste Dia das Mães! Desejo que cada uma de nós possamos encontrar nossos próprios caminhos e que seja um caminho não-violento, mas que também nos faça sair de uma zona de conforto, superando nossos limites e descortinando novas possibilidades! Cá estou eu, novamente, aberta a novas experiências, provando dos desafios de uma nova gestação e disposta a superar mais e mais meus próprios limites! 

Eu amo ser mãe, ser mãe do meu jeito!!!

Feliz todos os dias de Dia das Mães!!!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

"Meu filho?! Parte I"

Reflexões de Janusz Korczak. Como amar uma criança. p. 30-31

                                                                     Foto escultura extraída da internet, autor não citado.

Você diz: " meu filho".
Quando, senão apenas durante a gravidez, você o direito de dizê-lo? A batida de um coração tão pequeno como o caroço de um pêssego faz eco em seu pulso. É sua respiração que fornece oxigênio. Um sangue comum a você circula em ambos, e nenhuma destas gotas vermelhas sabe ainda se ela será sua ou dele, ou se, derramada, será preciso que morra em sacrifício ao mistério da concepção e do nascimento. Este pedaço de pão que você está mastigando é material para a construção das pernas sobre as quais ele correrá, da pele que o recobrirá, dos olhos com os quais ele olhará o mundo, do cérebro onde o pensamento brilhará, das mãos que estenderá a você, e do sorriso com o qual ele chamará "mamãe". Juntos vocês irão viver um momento decisivo; juntos sofrerão a mesma dor. O despertador tocará: pronto.
e vocês dirão ao mesmo tempo; ele: "eu quero viver minha vida"; e você: "viva a sua vida".
Com poderosas contrações das suas entranhas você o expulsará sem se preocupar com o sofrimento dele, e ele abrirá o seu caminho com força e decisão, também sem se preocupar com o sofrimento de sua mãe.
Ato brutal.
Na realidade, não. Você e ele executarão mil movimentos imperceptíveis, maravilhas de habilidade e de sutileza, a fim de que, tomando cada um sua parte de vida, não tomem além do que é devido a cada um segundo uma lei universal e eterna.
 - Meu filho.
Não, nem nos meses de gravidez, nem das horas do nascimento a criança é sua...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O fenômeno da fusão emocional mãe-bebê




O fenômeno da fusão emocional mãe-bebê por Laura Gutman e traduzido por mim.

"Seria ótimo que a maternidade trouxesse consigo somente um bebê rosado e feliz que sorri como nas páginas das revistas e que nossa vida seguisse seu curso mais pleno que antes. Mas a realidade invisível de cada uma de nós frequentemente é distinta, ainda que não contemos com palavras para nomear o que sucede com um bebê nos braços. Mescla de angústia, alegria, perda de identidade, desejo de desaparecer, cansaço, orgulho, sono e excitação.
Além do mais, há algo que não nos haviam contado ou que não estivemos dispostas a saber, fascinadas com o glamour da gravidez ou envoltas pelos milhares de conselhos recebidos para fazer as coisas bem: tornar-se mãe é deixar inundar-se pela loucura de compartilhar um mesmo território emocional com o bebê. Porque ainda que  ele já tenha nascido e acreditamos que tenha se tornado em “outro”, os campos emocionais tem outros planos. Se trata do fenômeno da fusão emocional.
Isto significa que não há fronteiras entre o campo emocional da mãe e  o campo emocional da criança. São como duas gotas de água no oceano. Não é possível identificá-las separadamente. Compreender a presença da fusão emocional só é possível se observarmos além do terreno palpável e fisicamente visível
Concretamente, nós  mães sentimos como próprias todas as sensações dos bebês. Por exemplo, nos irritam os ruídos ou as pessoas que falam em voz alta, nos enchem os peitos de leite segundos antes que o bebê desperte ou temos angustias repentinas e necessitamos voltarmos imediatamente para casa. O bebê, por sua parte, também vive “como próprias” as vivência da mãe, sem distinguir entre as que são conscientes e as que não são, entre as que pertencem ao passado, ao presente ou ao futuro. Dentro da “fusão emocional”, tudo que um ou outro percebem são vividos como próprios.
Agora vem a parte mais difícil: o bebê é um “ser sutil”, expressa especialmente todo o material emocional que a mãe registra, que está “relegado a sombra”. É dizer que expressa justamente o que   temos nos empenhado tanto a esquecer: situações confusas da infância, abandonos emocionais, solidão, perdas afetivas ou dores não nomeáveis. Dedicamos anos a superá-los para nos convertermos em mulheres maduras e independentes que somos hoje.
Contudo o bebê nos propõe que voltemos a revisar com honestidade os lugares lastimados do coração. Porque enquanto nosso coração interno chore, o bebê chorará, enquanto a raiva opere, ainda que sejamos muito simpáticas e encantadoras, o bebê gritará e se retorcerá de fúria; enquanto o desamor infantil continue instalado o  bebê não irá se acalmar.
Por isso é necessário compreender que quando um bebê continua irritado mesmo quando já foi amamentado, recebido colo, embalado e higienizado, é hora de nos perguntarmos “ que nos sucede? Em vez de “ que sucede ao bebê?”. A fusão emocional se converte em um caminho de autoconhecimento. Porque nos permite formularmos perguntas íntimas, verdadeiras, cheias de sentido, em uma dimensão espiritual talvez nunca alcançada antes". Laura Gutman